segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Festival Planeta Terra 2008

Em sua segunda edição, o festival Planeta Terra, que aconteceu no último sábado, dia 08 de novembro, na Villa dos Galpões, em São Paulo, mostrou que desde o início o evento consegue unir boa música e organização. Com um projeto arrojado, o evento atraiu um público eclético, que esgotou todos os 15 mil ingressos a dez dias do evento.
Entre os três palcos montados e intercalando 16 atrações, as pessoas transitavam pelo espaço, tentando presenciar os melhores momentos de cada apresentação. E o melhor disso tudo é que com um horário rigorosamente respeitado, o público pôde se programar e conferir as performances de suas bandas favoritas.

Main Stage
No palco principal, a maratona começou com a apresentação do quinteto cuiabano Vanguart. O público fiel conferiu o repertório folk rock da banda encabeçada pelo músico Hélio Flanders. Em seguida, a queridinha da cena independente, Mallu Magalhães, fez uma apresentação que encantou o público com suas composições graciosas, interpretação afinadíssima e um figurino divertido que chamou a atenção de todos (a vocalista e seus músicos estavam uniformizados com camisa, gravata-borboleta e cartola). Em seu repertório, a adolescente brindou o público com canções novas e arriscou um cover da música “Your Mother Should Know”, dos Beatles, e “Folsom Prison Blues”, de Johhny Cash, duas de suas maiores referências. Como sempre, acertou.
Mas o momento mais “tenso” da noite foi quando o público teve de escolher entre o show dos veteranos do Jesus and Mary Chain, que há quase 20 anos não se apresentavam em São Paulo, e do quinteto inglês Foals, que vem sendo considerado pela crítica uma das revelações do ano.
Os irmãos Reid, após a dissolução da banda em 1999, devido às constantes brigas, e um reencontro que aconteceu em abril de 2007, no festival Coachella, emocionaram a platéia com um repertório repleto de clássicos, incluindo canções como “Just Like Honey”, do seu álbum de estréia “Psychocandy” (1985), e apenas uma nova canção, “Kennedy Song”. Mantendo o mesmo estilo de quando a banda surgiu na década de 80 e com canções barulhentas marcadas pelas clássicas distorções, os integrantes do Jesus empolgaram o público mais saudosista, adotando uma postura menos “indiferente” em relação à platéia, comparando-se aos seus antigos shows, quando chegaram até a se apresentar de costas para o público.
Com o início do show da banda norte-americana de punk rock, The Offspring, o palco principal teve uma de suas maiores lotações. Mesmo sendo mais esperada pelo público jovem, a banda mostrou que mesmo depois de tantos anos de estrada, continua com a mesma empolgação e disposição do início. Não foi difícil ver os marmanjos pulando com a avalanche de hits que rolou após a primeira canção do show, “Stuff Is Messed Up”, de seu mais recente álbum, “Rise and Fall, Rage and Grace” (2008). Sucessos como “Come Out And Play” e “Pretty Fly (For a White Guy)” levaram o público ao delírio.
Bloc Party já subiu ao palco com a difícil missão de convencer o público de que é possível fazer um bom show mesmo depois de ter feito uma polêmica e frustrante apresentação com playback, em sua última aparição no VMB deste ano. A princípio, o público estava um tanto resistente, mas após o pedido de desculpas e um repertório quase que todo baseado em seu álbum de estréia, “Silent Alarm” (2005), a platéia se derreteu ao ouvir o hit “Banquet”. Parece que as desculpas foram realmente aceitas.
Já na madrugada de domingo, a banda britânica Kaiser Chiefs assumiu o palco e confirmou que realmente tinha todos os quesitos esperados pelo público para encerrar a série de ótimos shows no Main Stage. Com o performático vocalista Rick Wilson, a platéia cantou todos os hits da banda e vibrou toda vez que o músico descia até a grade que separava o palco da platéia e arriscava algumas palavras em português. Logo após a primeira música, “Everything Is Average Nowadays”, foram só sucessos: “Everyday I Love You Less And Less”, “Modern Way”, “Na Na Na Na Naa”, “I Predict a Riot” e “Oh My God” para encerrar. O tecladista Nick Peanut tocou sentado após sofrer uma crise de apendicite e ter sido submetido a uma cirurgia um dia antes da apresentação.

Indie Stage
Já no Indie Stage, quem deu início às apresentações foram os “Brothers of Brazil”, João Suplicy e Supla. A dupla apresentou um repertório inusitado, incluindo desde clássicos da bossa nova até a canção “I Just Wanna Have Something To Do”, do grupo Ramones. Já era de se esperar um show no mínimo hilário. Na seqüência, Luciano Nakata, o Curumin, não decepcionou. Mesmo diante de um público ávido pela apresentação de um dos shows mais esperados – o do cultuado Animal Collective – o músico fez uma ótima apresentação, mostrando faixas de seu álbum “JapanPopShow”, com a companhia dos músicos Loco Sosa e Lucas Martins e participação especial de Christopher Love. Os rapazes fizeram uma mistura bem sucedida de vários gêneros, tendo aprovação total da platéia.
Surpresa mesmo foi perceber que a viagem experimental e desconexa do grupo norte-americano Animal Collective não conseguiu manter o público até o final do show no Indie Stage. O transe hipnótico de Panda Bear, Geologist e Avey Tare contou com várias canções adoradas pelos fãs, dentre elas “Peacebone” e uma canção inédita que a banda lança em seu novo álbum, no início de 2009. Os fãs de carteirinha do grupo não se desanimaram com a apresentação, mas ao final do show, ficaram a espera de um “bis” que não veio.
Em seguida, entrou em cena a banda Foals. Com um híbrido de rock e dance, os integrantes do Foals fizeram com que o público não parasse um só minuto e deram corpo ao show mais eletrizante do festival. Empolgadíssimo, o vocalista Yannis Philippakis interagiu com a platéia em vários momentos, chegando até a pular no meio dela depois de algum tempo de apresentação. A atmosfera do Indie Stage não poderia ter sido diferente: todo o público se contagiou com a performance dos músicos e fez com que o palco se tornasse o mais animado de todo o festival.
No penúltimo show do Indie Stage, os texanos do Spoon conquistaram o público com um show menos performático e muito empolgante. Não é por menos que o público recebeu a banda calorosamente e se manteve fiel até o final da apresentação. O repertório foi baseado em seu último álbum, “Ga Ga Ga Ga Ga” (2007). O hit “The Underdog” marcou o melhor momento do show . Sem o naipe de sopros, a banda compensou a ausência investindo pesado nos teclados. A apresentação não deixou nada a desejar.
Mas quem se deu bem foram as irmãs Deal, ao disputar o público com Bloc Party e encerrar a maratona de show do Indie Stage. É inegável dizer que os Breeders conseguiram fazer uma das melhores apresentações da noite. Totalmente à vontade com o público e com uma energia contagiante, não restaram dúvidas de que a lendária banda norte-americana, que tem Kim Deal, ex-baixista de uma das bandas alternativas mais importantes dos últimos tempos, o Pixies, sabe como cativar o público com um show de rock de gente grande. Com os sucessos “No Aloha”, “Divine Hammer”, “Saints” e, para levar o palco abaixo, o hit “Cannonbal”, foi impossível ver alguém parado.

DJ Stage
O DJ paulistano Mau Mau foi o responsável pela abertura da maratona de música eletrônica no DJ Stage. À espera de nomes de peso como o francês Sébastien Léger e o performático DJ escocês Mylo, a platéia não conseguiu ficar parada um minuto. Mas foi com a última atração, o DJ norte-americano Felix da Housecat, que o público - adepto ou não da música eletrônica - se empolgou com remixes de sucessos como “Smells Like Teen Spirit” do Nirvana, “Enjoy the Silence” do Depeche Mode e “Tainted Love” do Soft Cell.

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Festival Planeta Terra 2008 by Erica Lima is licensed under a Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil License.

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