A passagem de Josh Rouse pelo Brasil nos deixou a sensação de que mais um ídolo por quem há anos alimentávamos uma paixão platônica, deu corpo a uma bela e entusiasmante apresentação no SESC Vila Mariana (SP), no último dia 15, com uma retrospectiva de sua carreira.
Sabendo-se da origem de Josh (o cantor nasceu no interior dos Estados Unidos, na pequena cidade de Paxton, Nebraska, porém seu amadurecimento musical deu-se na capital estadunidense da música country, Nashville) e de suas influências, que vão de Bob Dylan, Tom Waits e Neil Young, flertando com o rock, country e bossa nova (o cantor já declarou sua total admiração por João Gilberto), é possível perceber que Josh constrói um folk pop com belas melodias e com letras bem escritas e deliciosamente palatáveis.
Atualmente morando na Espanha, Josh compõe e interpreta suas canções com letras românticas na dose certa e que falam um pouco sobre sua vida. Com mais de dez discos lançados, o cantor está em turnê para divulgar seu mais novo trabalho “Country Mouse City House” (2007).
Nos shows brasileiros, ele toca guitarra e violão, acompanhado de James Haggerty (baixo), Mike Cruz (teclados) e Marc Pisapia (bateria).
Em uma apresentação de quase uma hora e meia, Josh não podia ter começado melhor. Com um estilo tímido e contido, vestindo seu blazer de praxe, jeans e tênis, arriscou alguns passinhos enquanto cantava as levíssimas canções “His Majesty Rides”, “It Looks Like Love” e “Summertime”, de seu penúltimo álbum “Subtitulo” (2006). Engraçado como Josh, entre algumas poucas brincadeiras e conversas - em português - com o público, conseguiu empolgar a platéia, a qual o acompanhava com palmas e cantando as letras em total sintonia com o cantor. Josh, surpreso e ao mesmo tempo irônico, provocou o público agradecendo-o por conhecer suas canções, já que somente um álbum foi lançado no Brasil. “Talvez vocês tenham comprado meus álbuns pela internet, certo?”, brinca Josh.
Em um teatro com um clima todo intimista, não era fácil segurar a vontade de dançar. Fácil mesmo foi notar o público tentando se chacoalhar em suas respectivas cadeiras a cada canção.
Com “Winter in the Hamptons”, canção a qual Josh declarou ter feito em referência aos Smiths, do álbum “Nashville” (2005), um de seus mais belos trabalhos, a sintonia foi plena. Atendendo a um pedido de Josh, o público o acompanhou entusiasmado.
Com “Winter in the Hamptons”, canção a qual Josh declarou ter feito em referência aos Smiths, do álbum “Nashville” (2005), um de seus mais belos trabalhos, a sintonia foi plena. Atendendo a um pedido de Josh, o público o acompanhou entusiasmado.
Na metade do show surgiram canções como “Quiet Town” (Subtitulo), “Come Back” e “Love Vibration”, do álbum “1972” (2003).
Com a troca da guitarra pelo violão e um Josh muito mais solto, vieram canções como “Sweetie”, “Streetlights”, e encerrando com “It's the Nighttime”. O público já não conteve a empolgação e acompanhou Josh de pé, na beira do palco.
Após a saída de Josh e banda, o público já a espera do “bis”, aglomerou-se em torno do palco, e com palmas sincronizadas e gritinhos eufóricos, Josh volta e nos brinda com as canções mais pedidas durante o show: “Slaveship”, “Sad Eyes” e “Directions”, esta última acompanhada aos berros pela platéia fanática.
Versátil, tranqüilo, carismático. Josh é daqueles ídolos pelos quais esperamos anos por um show. E quando o temos, ficamos com uma sensação de alívio ao ouvir todas as canções pedidas. E mesmo que o repertório fosse outro, não faltariam belas canções extraídas de uma série de grandes álbuns lançados ao longo desses 10 anos para nos brindar.

It's the nighttime, babe! by Erica Lima is licensed under a Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil License.
