sexta-feira, 28 de novembro de 2008

500 canções

Nos últimos dias, no melhor estilo “Alta Fidelidade”, pensei muito a respeito das ‘top lists’ que fazem parte de nossas vidas. Bandas, álbuns, canções, filmes. Impossível não eleger os favoritos que, por algum motivo, tornaram-se especiais.
Talvez tenha sido influência da mais nova lista publicada pela Pitchfork, site famoso pelas incontáveis listas e referência na crítica musical, que lançou um guia com suas 500 canções favoritas das últimas três décadas.
O livro “The Pitchfork 500: Our Guide to the Greatest Songs from Punk to the Present”, já encontrado nas livrarias brasileiras em sua versão original, toma como ponto de partida o surgimento do punk na década de 70 e passeia por quase todos os estilos musicais contemporâneos: rock, indie, pop, experimental, hip hop, jazz, metal, eletrônica. Para cada canção escolhida, uma mini-resenha conta um pouquinho sobre o contexto no qual estavam inseridos os artistas, suas influências no cenário musical, o impacto que cada canção causou.
A lista que é organizada em ordem cronológica, não poderia ter começado melhor. “Heroes” de David Bowie é unânime. Outras canções igualmente previsíveis (no melhor sentido da palavra) incluídas na lista foram “Atmosphere” do Joy Division, “Temptation” do New Order e “The Killing Moon” do Echo and the Bunnymen, entre várias outras. Mas quem lidera mesmo a lista é o performático Prince e a banda norte-americana liderada por David Byrne, Talking Heads, cada qual com quatro canções incluídas.
Várias das músicas que amamos também fazem parte das eleitas pela Pitchfork: “This Charming Man” dos Smiths (Morrissey também aparece quatro vezes na lista, com uma canção de sua carreira solo e três de sua antiga banda), “Young Folks” dos suecos Peter, Bjorn and John, “Mushaboom” da Feist, “She Bangs The Drums” do Stone Roses, “1979” do Smashing Pumpkins, “Cause=Time” do Broken Social Scene e “Via Chicago” do Wilco (banda que não poderia faltar à lista).
O livro também traz, ao final de cada capítulo, um quadro com várias curiosidades sobre os artistas e algumas de suas melhores canções. Todo mundo vai querer ter a sua ‘top list’ também.

Creative Commons License
500 canções by Erica Lima is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Into the Groove

Uma passagem quase que secreta, perdida em uma das alamedas dos Jardins. Quem passa ouve um barulhinho bom que ecoa de leve no final do corredor. Será alguém ouvindo um disco do Jimmy Smith?
Já no interior da casa-ateliê, decorada com fotografias antigas, livros e bibelôs no melhor estilo kitsch, a surpresa é encontrar um trio de verdade que produz essa deliciosa série de acordes e ritmos contagiantes. A sala aconchegante com uma iluminação super especial permitiu um clima intimista para a estréia do projeto idealizado por Daniel Andreotti (guitarra), Thiago Pinheiro (bateria) e Charlie Dennard (órgão). As pessoas presentes no local foram envolvidas pelo virtuosismo e energia do trio, que fez uma belíssima apresentação com temas melódicos e quentes, um autêntico groove jazz que remete aos sons de Medeski, Martin & Wood e do Larry Goldings Trio.
Em uma conversa com Daniel Andreotti, o músico comenta que "o trio começou o projeto pelo estúdio" e vem trabalhando desde agosto na gravação do disco. Há pouquíssimo tempo finalizaram as gravações e as músicas estão em fase de mixagem. A menos de uma semana, o trio criou um perfil no myspace para divulgar o trabalho, além de seu próprio site. “O proprietário da casa nos ligou para fazer um convite ao trio. Foi uma surpresa, no momento perfeito para testar ao vivo nosso som frente a um público atento. Foi tudo muito especial para nós. Não havia melhor lugar no mundo para estrear!”, comenta Daniel.
É impossível não notar a espontaneidade com a qual os integrantes brincam (no melhor sentido da palavra) com seus instrumentos. O "jovem veterano" produtor e tecladista, Thiago Pinheiro, surpreende a todos na bateria, divertindo-se a cada segundo com uma naturalidade absurda, mesmo sendo a bateria seu segundo instrumento (com 19 anos de carreira, o músico domina o piano desde a infância e na adolescência, desenvolveu a “keydrums”, técnica com a qual toca bateria em teclas). Ele conta que desenvolveu sua mente baterística com a keydrums e está muito feliz por finalmente levar suas idéias ao palco em instrumento acústico.
Daniel Andreotti diz que finalmente está encontrando o seu som nesse projeto."Há dois anos atrás era um guitarrista de jazz mais tradicional, tocava com uma guitarra acústica, com a tonalidade quase toda fechada a la Pat Metheny. Essa referência foi uma ótima formação para mim, mas com o tempo percebi que precisava me abrir para novos sons, mais energia com menos intelectualismo. E o curioso é que esses novos sons foram encontrados nas minhas mais antigas referências, em guitarristas fora do meio do jazz como Jimi Hendrix e Robben Ford, por exemplo. Hoje me sinto mais influenciado pelo som do Scofield que junta funk, soul, blues e jazz, tudo na mesma sopa."
Já o organista norte-americano Charlie Dennard, após estudar música em New Orleans e participar de uma turnê mundial com o espetáculo “Alegria”, da companhia Cirque du Soleil, felizmente completa a formação do The Jazz Trio. O grupo conta com um organista de alta expressividade e peso inquestionável. Charlie tem um groove e um jeito relaxado de tocar que só o pessoal de New Orleans sabe fazer. Performance irretocável.
O trio começou tocando alguns standards de jazz para aquecer. O latin de Wes Montgomery, "Road Song", deu o tom de como seria o resto do show. Outros pontos altos foram o blues "Take the Coltrane", Big Brother (uma música pouco conhecida de Stevie Wonder) e o clássico do álbum “Thriller” de Michael Jackson, "Human Nature". Das originais do trio, que estarão no álbum, foram tocadas a misteriosa "Looser's Greencard" e a energética “Candybar“.
Curioso mesmo é notar a entrega dosada e contida do público no decorrer da apresentação. Se no início o clima era de curiosidade, cada qual sentado em seu confortável sofá, disputando brechinhas para poder observar a performance dos músicos, ao passar de cada música, notava-se que pouco a pouco iam se deixando levar pelo swing do trio. Já nas últimas canções, o ambiente foi tomado por uma atmosfera colorida e contagiante. Tentando dançar entre os espaços que ainda restavam ao redor dos músicos, deu para sentir que o público havia sido conquistado.


Creative Commons License
Into the Groove by Erica Lima is licensed under a Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil License.

Bananas For You All!

Visceral. Não há melhor adjetivo que defina os shows do power trio cuiabano Macaco Bong. A performance dos rapazes hipnotiza até os menos adeptos do rock instrumental e fazem jus ao “rock erótico”, repleto de riffs poderosíssimos e uma sinergia absurda entre os instrumentos, que vão envolvendo o público numa atmosfera quente e viajante.
Em sua última turnê intitulada "Desbravando o Interior", uma parceria da Amplitude Records, Slag Records e Tronco Produções, ao lado da banda The Name, os músicos circularam pelo interior paulista num ritmo frenético e ininterrupto de shows, passando por 11 cidades em duas semanas.
Deu para perceber que os Bongs não abandonam a pegada forte e intensa dos shows mesmo quando, no meio de uma de suas apresentações da turnê, com amplificador inexplicavelmente quebrado e sem a performance do guitarrista Bruno Kayapy, o qual tentava resolver os probleminhas técnicos dos equipamentos, Ynayã Benthroldo (baterista) e Ney Hugo (baixista) aproveitam o transe no qual encontrava-se o público desde a primeira canção tocada, “Fuck You Lady”, e dão seqüência ao show, com um diálogo perfeito entre seus respectivos instrumentos. Incrível como as pessoas continuavam envolvidíssimas com o som. Genial.
Surpreendente mesmo foi quando Kayapy, após emprestar um pedal dos músicos da banda The Name, a fim de sanar o problema do amplificador, retornou à viagem densa de “vamosdahmaisuma” e deixou o público extasiado ao colocar sua guitarra no chão para fechar o show com um inusitado solo, no melhor estilo Jimi Hendrix. Sem dúvida, o momento mais sensual da apresentação.
Mesmo com um trabalho não-convencional, o número de fãs aumenta consideravelmente a cada apresentação. Além do virtuosismo da banda, a simpatia e energia dos músicos fazem toda a diferença. Em vários momentos, é difícil não associar o som dos cuiabanos a bandas como Rush e Mars Volta.
O álbum mais recente do trio, “Artista Igual Pedreiro” (2008), disponível para download no site da Trama Virtual, é corajoso, harmônico e traz uma avalanche de sons que vão se fundindo até gerar um híbrido de difícil rotulação. Desde a primeira canção, “Amendoim”, o disco traz elementos experimentais que vão do progressivo ao jazz fusion. Com um instrumental tão completo, a presença do vocal é totalmente dispensável. Foge, definitivamente, da obviedade.
Com um trabalho tão elaborado e instigante, não tem como não eleger o Macaco Bong como uma das bandas mais ousadas e inspiradas da cena rock brasileira da atualidade. Vale muito a pena conferir.

Creative Commons License
Bananas For You All! by Erica Lima is licensed under a Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil License.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Festival Planeta Terra 2008

Em sua segunda edição, o festival Planeta Terra, que aconteceu no último sábado, dia 08 de novembro, na Villa dos Galpões, em São Paulo, mostrou que desde o início o evento consegue unir boa música e organização. Com um projeto arrojado, o evento atraiu um público eclético, que esgotou todos os 15 mil ingressos a dez dias do evento.
Entre os três palcos montados e intercalando 16 atrações, as pessoas transitavam pelo espaço, tentando presenciar os melhores momentos de cada apresentação. E o melhor disso tudo é que com um horário rigorosamente respeitado, o público pôde se programar e conferir as performances de suas bandas favoritas.

Main Stage
No palco principal, a maratona começou com a apresentação do quinteto cuiabano Vanguart. O público fiel conferiu o repertório folk rock da banda encabeçada pelo músico Hélio Flanders. Em seguida, a queridinha da cena independente, Mallu Magalhães, fez uma apresentação que encantou o público com suas composições graciosas, interpretação afinadíssima e um figurino divertido que chamou a atenção de todos (a vocalista e seus músicos estavam uniformizados com camisa, gravata-borboleta e cartola). Em seu repertório, a adolescente brindou o público com canções novas e arriscou um cover da música “Your Mother Should Know”, dos Beatles, e “Folsom Prison Blues”, de Johhny Cash, duas de suas maiores referências. Como sempre, acertou.
Mas o momento mais “tenso” da noite foi quando o público teve de escolher entre o show dos veteranos do Jesus and Mary Chain, que há quase 20 anos não se apresentavam em São Paulo, e do quinteto inglês Foals, que vem sendo considerado pela crítica uma das revelações do ano.
Os irmãos Reid, após a dissolução da banda em 1999, devido às constantes brigas, e um reencontro que aconteceu em abril de 2007, no festival Coachella, emocionaram a platéia com um repertório repleto de clássicos, incluindo canções como “Just Like Honey”, do seu álbum de estréia “Psychocandy” (1985), e apenas uma nova canção, “Kennedy Song”. Mantendo o mesmo estilo de quando a banda surgiu na década de 80 e com canções barulhentas marcadas pelas clássicas distorções, os integrantes do Jesus empolgaram o público mais saudosista, adotando uma postura menos “indiferente” em relação à platéia, comparando-se aos seus antigos shows, quando chegaram até a se apresentar de costas para o público.
Com o início do show da banda norte-americana de punk rock, The Offspring, o palco principal teve uma de suas maiores lotações. Mesmo sendo mais esperada pelo público jovem, a banda mostrou que mesmo depois de tantos anos de estrada, continua com a mesma empolgação e disposição do início. Não foi difícil ver os marmanjos pulando com a avalanche de hits que rolou após a primeira canção do show, “Stuff Is Messed Up”, de seu mais recente álbum, “Rise and Fall, Rage and Grace” (2008). Sucessos como “Come Out And Play” e “Pretty Fly (For a White Guy)” levaram o público ao delírio.
Bloc Party já subiu ao palco com a difícil missão de convencer o público de que é possível fazer um bom show mesmo depois de ter feito uma polêmica e frustrante apresentação com playback, em sua última aparição no VMB deste ano. A princípio, o público estava um tanto resistente, mas após o pedido de desculpas e um repertório quase que todo baseado em seu álbum de estréia, “Silent Alarm” (2005), a platéia se derreteu ao ouvir o hit “Banquet”. Parece que as desculpas foram realmente aceitas.
Já na madrugada de domingo, a banda britânica Kaiser Chiefs assumiu o palco e confirmou que realmente tinha todos os quesitos esperados pelo público para encerrar a série de ótimos shows no Main Stage. Com o performático vocalista Rick Wilson, a platéia cantou todos os hits da banda e vibrou toda vez que o músico descia até a grade que separava o palco da platéia e arriscava algumas palavras em português. Logo após a primeira música, “Everything Is Average Nowadays”, foram só sucessos: “Everyday I Love You Less And Less”, “Modern Way”, “Na Na Na Na Naa”, “I Predict a Riot” e “Oh My God” para encerrar. O tecladista Nick Peanut tocou sentado após sofrer uma crise de apendicite e ter sido submetido a uma cirurgia um dia antes da apresentação.

Indie Stage
Já no Indie Stage, quem deu início às apresentações foram os “Brothers of Brazil”, João Suplicy e Supla. A dupla apresentou um repertório inusitado, incluindo desde clássicos da bossa nova até a canção “I Just Wanna Have Something To Do”, do grupo Ramones. Já era de se esperar um show no mínimo hilário. Na seqüência, Luciano Nakata, o Curumin, não decepcionou. Mesmo diante de um público ávido pela apresentação de um dos shows mais esperados – o do cultuado Animal Collective – o músico fez uma ótima apresentação, mostrando faixas de seu álbum “JapanPopShow”, com a companhia dos músicos Loco Sosa e Lucas Martins e participação especial de Christopher Love. Os rapazes fizeram uma mistura bem sucedida de vários gêneros, tendo aprovação total da platéia.
Surpresa mesmo foi perceber que a viagem experimental e desconexa do grupo norte-americano Animal Collective não conseguiu manter o público até o final do show no Indie Stage. O transe hipnótico de Panda Bear, Geologist e Avey Tare contou com várias canções adoradas pelos fãs, dentre elas “Peacebone” e uma canção inédita que a banda lança em seu novo álbum, no início de 2009. Os fãs de carteirinha do grupo não se desanimaram com a apresentação, mas ao final do show, ficaram a espera de um “bis” que não veio.
Em seguida, entrou em cena a banda Foals. Com um híbrido de rock e dance, os integrantes do Foals fizeram com que o público não parasse um só minuto e deram corpo ao show mais eletrizante do festival. Empolgadíssimo, o vocalista Yannis Philippakis interagiu com a platéia em vários momentos, chegando até a pular no meio dela depois de algum tempo de apresentação. A atmosfera do Indie Stage não poderia ter sido diferente: todo o público se contagiou com a performance dos músicos e fez com que o palco se tornasse o mais animado de todo o festival.
No penúltimo show do Indie Stage, os texanos do Spoon conquistaram o público com um show menos performático e muito empolgante. Não é por menos que o público recebeu a banda calorosamente e se manteve fiel até o final da apresentação. O repertório foi baseado em seu último álbum, “Ga Ga Ga Ga Ga” (2007). O hit “The Underdog” marcou o melhor momento do show . Sem o naipe de sopros, a banda compensou a ausência investindo pesado nos teclados. A apresentação não deixou nada a desejar.
Mas quem se deu bem foram as irmãs Deal, ao disputar o público com Bloc Party e encerrar a maratona de show do Indie Stage. É inegável dizer que os Breeders conseguiram fazer uma das melhores apresentações da noite. Totalmente à vontade com o público e com uma energia contagiante, não restaram dúvidas de que a lendária banda norte-americana, que tem Kim Deal, ex-baixista de uma das bandas alternativas mais importantes dos últimos tempos, o Pixies, sabe como cativar o público com um show de rock de gente grande. Com os sucessos “No Aloha”, “Divine Hammer”, “Saints” e, para levar o palco abaixo, o hit “Cannonbal”, foi impossível ver alguém parado.

DJ Stage
O DJ paulistano Mau Mau foi o responsável pela abertura da maratona de música eletrônica no DJ Stage. À espera de nomes de peso como o francês Sébastien Léger e o performático DJ escocês Mylo, a platéia não conseguiu ficar parada um minuto. Mas foi com a última atração, o DJ norte-americano Felix da Housecat, que o público - adepto ou não da música eletrônica - se empolgou com remixes de sucessos como “Smells Like Teen Spirit” do Nirvana, “Enjoy the Silence” do Depeche Mode e “Tainted Love” do Soft Cell.

Creative Commons License
Festival Planeta Terra 2008 by Erica Lima is licensed under a Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil License.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

It's the nighttime, babe!

A passagem de Josh Rouse pelo Brasil nos deixou a sensação de que mais um ídolo por quem há anos alimentávamos uma paixão platônica, deu corpo a uma bela e entusiasmante apresentação no SESC Vila Mariana (SP), no último dia 15, com uma retrospectiva de sua carreira.
Sabendo-se da origem de Josh (o cantor nasceu no interior dos Estados Unidos, na pequena cidade de Paxton, Nebraska, porém seu amadurecimento musical deu-se na capital estadunidense da música country, Nashville) e de suas influências, que vão de Bob Dylan, Tom Waits e Neil Young, flertando com o rock, country e bossa nova (o cantor já declarou sua total admiração por João Gilberto), é possível perceber que Josh constrói um folk pop com belas melodias e com letras bem escritas e deliciosamente palatáveis.
Atualmente morando na Espanha, Josh compõe e interpreta suas canções com letras românticas na dose certa e que falam um pouco sobre sua vida. Com mais de dez discos lançados, o cantor está em turnê para divulgar seu mais novo trabalho “Country Mouse City House” (2007).
Nos shows brasileiros, ele toca guitarra e violão, acompanhado de James Haggerty (baixo), Mike Cruz (teclados) e Marc Pisapia (bateria).
Em uma apresentação de quase uma hora e meia, Josh não podia ter começado melhor. Com um estilo tímido e contido, vestindo seu blazer de praxe, jeans e tênis, arriscou alguns passinhos enquanto cantava as levíssimas canções “His Majesty Rides”, “It Looks Like Love” e “Summertime”, de seu penúltimo álbum “Subtitulo” (2006). Engraçado como Josh, entre algumas poucas brincadeiras e conversas - em português - com o público, conseguiu empolgar a platéia, a qual o acompanhava com palmas e cantando as letras em total sintonia com o cantor. Josh, surpreso e ao mesmo tempo irônico, provocou o público agradecendo-o por conhecer suas canções, já que somente um álbum foi lançado no Brasil. “Talvez vocês tenham comprado meus álbuns pela internet, certo?”, brinca Josh.
Em um teatro com um clima todo intimista, não era fácil segurar a vontade de dançar. Fácil mesmo foi notar o público tentando se chacoalhar em suas respectivas cadeiras a cada canção.
Com “Winter in the Hamptons”, canção a qual Josh declarou ter feito em referência aos Smiths, do álbum “Nashville” (2005), um de seus mais belos trabalhos, a sintonia foi plena. Atendendo a um pedido de Josh, o público o acompanhou entusiasmado.
Na metade do show surgiram canções como “Quiet Town” (Subtitulo), “Come Back” e “Love Vibration”, do álbum “1972” (2003).
Com a troca da guitarra pelo violão e um Josh muito mais solto, vieram canções como “Sweetie”, “Streetlights”, e encerrando com “It's the Nighttime”. O público já não conteve a empolgação e acompanhou Josh de pé, na beira do palco.
Após a saída de Josh e banda, o público já a espera do “bis”, aglomerou-se em torno do palco, e com palmas sincronizadas e gritinhos eufóricos, Josh volta e nos brinda com as canções mais pedidas durante o show: “Slaveship”, “Sad Eyes” e “Directions”, esta última acompanhada aos berros pela platéia fanática.
Versátil, tranqüilo, carismático. Josh é daqueles ídolos pelos quais esperamos anos por um show. E quando o temos, ficamos com uma sensação de alívio ao ouvir todas as canções pedidas. E mesmo que o repertório fosse outro, não faltariam belas canções extraídas de uma série de grandes álbuns lançados ao longo desses 10 anos para nos brindar.

Creative Commons License
It's the nighttime, babe! by Erica Lima is licensed under a Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil License.